
A sociedade de zumbis
Este texto editorial não se trata da série The Walking Dead, onde zumbis perambulavam pelas ruas para comer cérebros no intuito de afugentar a dor. Trata-se da ausência de cérebros — ou do funcionamento pleno deles — numa época em que o pensamento surge apenas como fagulhas, existindo unicamente por existir.

O pensamento crítico, estampado em obras como as de Paulo Coelho, soa como bobagens em meio ao mar da ignorância, onde se elegem heróis e ideologias sem pé nem cabeça, arrastando multidões rumo a um abismo sepulcral. Lá, esses cérebros diminutos vão se decompondo numa bestial odisseia que parece não ter fim.
Evidencia-se, nesse contexto, a expansão de um grupo de pessoas que não raciocinam, que têm preguiça e aversão ao ato de pensar. Concomitantemente, tornam-se presas fáceis, expostas à manipulação por aqueles que mantêm o controle e o domínio sobre essa massa de manobra. Seus parcos neurônios já não conseguem concatenar ideias nem formular opiniões. Ao contrário, tornam-se replicadores — especialmente nas redes sociais — de conteúdos que estão muito distantes de qualquer senso crítico.
São replicadores de um processo cuidadosamente arquitetado para conduzi-los ao matadouro. Pobre gado! São imbecis travestidos de intelectuais, que sequer se colocam na posição de escolher. A sociedade de zumbis está aí: não questiona, não busca a origem dos fatos, não investiga a veracidade das informações. O estado deprimente de seu cognitivo não permite questionamentos. E, assim, mergulha-se copiosamente na hipocrisia, tornando-se um instrumento fácil para a manipulação.
A sociedade de zumbis cresce de forma exponencial, e parece não haver antídoto para esse mal. Eles estão nas ruas, no comércio, nas igrejas e até no ambiente de trabalho — sejam professores, pedreiros, comerciários, caminhoneiros, advogados, médicos ou políticos. Todos estão sujeitos a compor essa sociedade burra que, em conjunto com seus estereótipos, promove o estrago, o ódio e a destruição de seus próprios aparatos de defesa, prejudicando a nação, o estado, o município, o bairro, a casa e até a convivência familiar.
É comum perceber fatos simples: como quando você faz uma compra de 5 reais, paga com uma nota de 10 e a atendente precisa usar a calculadora para saber quanto deve voltar. Simples assim. Em pouco tempo, esses cérebros diminuídos terão dificuldades até para processar o óbvio, pois o indivíduo se recusa a pensar, questionar e formar opinião. Um problema de fácil resolução poderá levá-lo ao estado de pânico, pois sua mente — sentenciada — já é incapaz de raciocinar.
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