
Esse movimento da extrema-direita no Brasil se apresenta hoje com os dias contados. A “ideia” — e não ideologia — surgiu com o crescimento da direita, especialmente na Europa, nos Estados Unidos e em alguns países da América Latina, onde fragmentos do fascismo italiano se juntaram bestialmente ao nazismo de Hitler, cultivando o ódio, a discriminação de cor e raça, a misoginia, a ojeriza aos pobres, a negação da ciência e tantos outros fatores malévolos, embalados pelo discurso contra as instituições democráticas e impulsionados pela enxurrada de fake news, com o objetivo claro de angariar multidões até então ignorantes dos processos políticos, do conhecimento, da sociedade em que vivem, de sua posição social e até das leis vigentes.
Vale lembrar que uma ideologia se baseia em estudos, experiências e em um norte capaz de envolver gerações no campo social, estrutural, cultural, econômico e estratégico. Já a ideia pode surgir de um gênio, de um conteúdo bem fundamentado ou de uma mente enlouquecida, disposta a métodos nada recomendáveis para sustentar um cargo, uma posição ou o poder.
E é por isso que uma ideologia se apresenta como secular e fincada em raízes profundas, que vão desde o conhecimento até o cumprimento da legalidade. Ao contrário, a ideia tende a se diluir e até desaparecer, visto que seus fundamentos não possuem raízes — ou seja, é como uma planta que parece robusta, mas se encontra sem nutrientes para continuar. Exemplo disso foram movimentos nacionalistas como o tenentismo, a ditadura militar e, agora, o bolsonarismo isquêmico, que vem se deteriorando a cada dia.
A fabricação de fake news e sua enxurrada nas redes sociais, sustentáculo desse movimento, já não produz o efeito bombástico de antes. As versões distorcidas dos fatos são desmentidas diariamente e de forma natural, tamanhas as discrepâncias apresentadas. Por outro lado, com Bolsonaro preso, resta à extrema-direita se debater com Michelle Bolsonaro, a única que pode tentar manter acesa a chama desse nefasto movimento, uma vez que Flávio e Carlos não têm força e não se mostram capazes de sustentar o espólio eleitoral do pai, agora encarcerado e sem direitos políticos.
Os governadores Tarcísio, Zema, Calado e Ratinho Júnior estão de olho nesse espólio e, caso algum deles receba o apoio do ex-chefe, qualquer um que vença a eleição decretará o fim do “bolsonarismo raiz”. Eles querem os votos, mas não querem nenhum Bolsonaro na chapa. Aliás, fingem defender o indefensável apenas para obter apoio e, depois, enterrar de vez esse movimento sem raízes, mantido pelos piores arranjos.
O bolsonarismo chegará ao fim, mas foi o único movimento capaz de levar igrejas evangélicas e outras denominações a retirarem do púlpito a figura divina de Jesus Cristo e seus ensinamentos, substituindo-os pela adoração a um ser misógino, discriminador, morticida, golpista e que despertou o ódio adormecido em uma massa confusa, que viu nele o reflexo de sua própria e insignificante existência. Tudo isso totalmente contrário ao que preza um verdadeiro cristão.
A ideologia se torna forte por seus sólidos fundamentos.
A ideia é fraca por natureza e pode ser enfrentada, divergida, desafiada, combatida ou derrubada — basta usar os argumentos certos no momento certo.







